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Embrapa quer R$ 120 mi para campos e laboratórios

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"Investir em pesquisa não é despesa", adverte Frente Parlamentar Cooperativista.

Laboratórios com mais de 30 anos de uso, falta de equipamentos e implementos nos campos demonstrativos e recursos para pesquisa são a outra face da moeda da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cuja transferência de tecnologias vem beneficiando africanos, asiáticos, norte-americanos e europeus. A continuidade dos serviços e os resultados de suas pesquisas levam a empresa a pedir mais R$ 120 milhões ao Programa de Aceleração do Crescimento, para atender às demandas de 2010, informou esta semana o novo presidente da empresa, Pedro Antonio Arraes Pereira.

Em 35 dias de diagnósticos, a direção constatou a necessidade de revitalizar laboratórios e grande parte dos 87 campos experimentais. Estes poderão se tornar de multiuso, atendendo também empresas de assistência técnica e extensão rural nos estados e proprietários rurais. "Faltou tempo para apurar tudo, mas vimos o principal", revelou.

Durante um dia de campo que reuniu na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e das frentes parlamentares do cooperativismo, de apoio à pesquisa e da agropecuária, o pesquisador Djalma Martinhão Gomes de Souza comparou: "O trabalho da Embrapa às vezes é igual ao ovo da pata, que possui mais qualidade que o ovo da galinha; só que a pata bota e fica quieta, enquanto a galinha cacareja e anuncia o seu produto".

Este ano, o PAC Embrapa liberou R$ 994 mil para incrementar 26 ações de Transferência de Tecnologia em 15 unidades. Somente neste ano o total de recursos destinados ao cumprimento das 42 metas dessa transferência chega a R$ 5,6 milhões. A pesquisa não funciona sem recursos.

Parcerias

O setor agrícola representa 24% do Produto Interno Bruto Nacional, 37% da força de trabalho e 36% das exportações. Ao defender o uso da rotação de culturas e do plantio direto, "que aumentam a eficiência, mas não são usados", Martinhão lembrou que em 2025 o mundo terá 8,3 bilhões de pessoas e, até lá, a demanda de alimentos alcançará 3,97 bilhões de toneladas.  "Na escassez de recursos, alguns de nós ainda consegue buscar recursos em instituições, fora do governo, mas é urgente a reformulação dos nossos laboratórios", disse.

A inquietude de Martinhão procede. O interesse estrangeiro também é uma realidade. Um dos maiores estudos com mandiocas amarela e vermelha do mundo, a cargo do pesquisador Luiz Joaquim Castelo Branco, da Embrapa Biotecnologia, foi patrocinado pela Fundação Rockfeller. Na Embrapa Amazônia Oriental, duas universidades federais alemãs contribuem com o Projeto Tipitamba (roça sem fogo), com o fornecimento de trituradoras gigantes.

Para o deputado Fernando Melo (PT-AC), "a própria Embrapa não conhece a Embrapa", daí, ele defendeu, a importância de se promover outros encontros nos quais seja apresentada a situação de cada unidade. "Vamos combinar com o pesquisador Judson Valentim um dia de campo especial da Embrapa-AC em Rio Branco", anunciou. O pesquisador Fernando Macena, da Embrapa Cerrados, sonha com um encontro no qual o maior número possível de colegas possam demonstrar as pesquisas em andamento no País.

O Brasil possui 851,5 milhões de hectares cultivados; 463 milhões de ha preservados, as cidades ocupam 20 milhões de ha e a agropecuária, 267 milhões de ha. Para expandir a agropecuária, ele explicou, são necessários não mais que 10 milhões de ha. "Queremos o equilíbrio ambiental", proclamou.

Martinhão diz respeitar a utilização racional dos Cerrados, no entanto, acredita que os 71% de áreas de preservação (604 milhões de ha) previstos pelo novo Código Florestal provocarão "bons debates". Segundo o pesquisador, há 180 milhões de ha de áreas poupadas e mais 36 milhões de ha ainda poderão ser poupados. Mencionou a economia de R$ 8,1 bilhões por ano com o uso de adubo nitrogenado, por meio da fixação biológica do nitrogênio da soja e, baseado em números de 2008, as 25,7 milhões de toneladas de grãos (de um total de 144 milhões de t) obtidas com a correção da acidez do solo com calcário e gesso a R$ 1 mil a t.

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